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Impressões sobre a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul

Confesso que voltei da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul com um gosto amargo na boca e um pouco de tristeza no coração. A África do Sul aprendeu com sua história algo que para nós ainda é caro: a GENEROSIDADE. Não sei porque parece que no Brasil ser generoso significa ser moralmente avesso à vida. Isso porque quando saí daqui eu havia sido massacrado pela imprensa local brasileira de que a África do Sul era um país cheio de problemas, violência, sem condições mínimas de civilidade. É só abrir qualquer jornal ou ler qualquer colunista que você entenderá o que eu quero dizer. Mas a surpresa de chegar a um país  vendido como “violento”, que suplantou um dos piores regimes da história, o Apartheid, e que hoje aceita e em alguns casos perdoa o seu passado, além de enfrentá-lo, e muito bem, é a de que nada do que diziam ou do que falavam sobre ele era realidade. Ou melhor, estando lá por algum tempo me dei conta de que as impressões obviamente tem a ver não com o que lá está, mas com os que lá estão. Nós brasileiros não somos acostumados a nos deslocar, somos um povo bovinamente pacato e esperamos que o mundo também o seja. A gente aprende a se virar de uma forma muito cômoda e sai pouco do “lugar”, o que é uma das nossas grandes falhas, a de sermos, desculpem o termo, “caipiras” profissionais.

Acho que é aí que reside o “background” da maior parte dos textos que li sobre a África do Sul. Isso sem falar no preconceito básico, que não preciso nem explicitar em palavras, que ronda a nossa desconfiança quanto ao povo de lá…não é mesmo Demóstenes Torres?

O que encontrei na África do Sul foi um país internacional, que participa do mundo, com um povo alegre, bonito, sorridente, fácil, agradável, super atencioso, maravilhoso e o que achei mais interessante: GENEROSO. Com o seu afeto, conquistam e enfrentam a dura realidade. Mas essa realidade não é aquela que li, não mesmo!  É a realidade de se repensar diante de tantos problemas e diante de uma Copa do Mundo de futebol, onde milhares de pessoas se reúnem para torcer, vibrar e saudar seus países, seus times e equipes. A experiência na África mostrou o quanto os sul-africanos conseguiram fazer em termos de organização, demonstrou que a África é o continente desse século e que eles estão prontos para isso. Sabem como fazer, tem a competência, e digo aqui sem medo: maior do que a nossa, de fazer e acontecer no palco internacional.

E porque será que um povo que até poucos dias vivia sob condições inimagináveis conseguiu avançar tanto em termos de sociabilidade? Bem, na minha simplória hipótese, porque eles enfrentaram o seu passado, sem violência, com um líder à altura de seus desejos, Nelson Mandela!

Voltei da África do Sul com a impressão de que a Copa no Brasil não vai ser tão bela, tão alegre e linda como imaginávamos. Nós perderemos para os Sul Africanos, e não há jeito, pois não há como competir com os sul-africanos em termos de generosidade e alegria. Nós ficaremos aqui com picuinhas de TCU prá lá, moralismos ruralistas prá cá, e quem sempre se ferra nisso tudo é a população, que vai ficar a ver navios sem trem para ir aos estádios e para se deslocar do Galeão ao centro do Rio ou mesmo de Guarulhos para o centro de São Paulo. Outro problema sério que o Brasil vai enfrentar é não ter começado já a realizar as obras de infraestrutura. Não há mais tempo hábil para se construir aeroportos como os de Johannesburgo, de Porth Elizabeth, de Durban e de Cape Town. Só o aeroporto de Cape Town, por exemplo, uma cidade de 600 mil habitantes, é 3 vezes o tamanho de Guarulhos, isso sem falar no conforto interno, na segurança e na capacidade de atendimento. O tempo que gastei entre sair do avião, pegar minha mala, fazer imigração e estar no trem para a cidade foi de 25 minutos. Ah, outro detalhe: não há filas. Sim, sintoma nosso, mas que já passou da hora de melhorar….os banheiros são limpos e construídos com materiais de primeira qualidade, não tem aquela louça sem qualidade brasileira, pequena, desajeitada, mas que custou baratinho porque foi com licitação pública, essa mazela inventada pela elite moralista brasileira que, em nome do resguardo do dinheiro público, joga no colo da população o lixo do preço “mais baixo”, como se a população às vezes não merecesse o que há de bom e durável. Já diz o ditado popular que o barato sai caro. Ah, não me entenda mal: segundo a lei da África do Sul, assim como nos Estados Unidos, as licitações são públicas, mas não são baseadas só no menor preço e sim em um balanço entre qualidade do produto e preço ofertado. Você já parou para pensar que no Brasil nunca uma empresa como Nestlé ou mesmo Sadia vence uma licitação para merenda pública? Entendeu porque servem bolacha farinhenta poluída nas escolas públicas que advém de empresas fundadas poucos meses antes das licitações? Na África do Sul, por exemplo, se um dirigente quiser comprar um material melhor, é só justificar e se o argumento é aceito, a licitação sai. Ah, não acreditou que pode ser melhor? Vá até lá e confira a qualidade dos materiais…..

Outro problema que o país não enfrentou é a questão da mentalidade impregnada pelo gozo com o burocracia. Para alugar um carro em qualquer aeroporto da África do Sul é só ir até uma Avis ou Hertz da vida e, sem reserva alguma, entregar seu cartão de crédito e carteira de motorista, não interessa de que país. Em cinco minutos você está com um ticket na mão com um número de uma vaga no estacionamento. Você caminha até o carro, a chave está na ignição. É só ligar e ir embora. Na devolução, é só estacionar. Um sujeito aparece do nada com um leitor de código de barras. Verifica só a gasolina e te deseja boa viagem. Só isso! Menos de dois minutos. Até fiz questão de perguntar: e a vistoria, e cadê a cuspidinha no  paralama para ver se tem algum arranhão? Nada. Vale mais a eficiência, a tranqüilidade e a facilidade de deslocamento de um visitante do que o sofrimento. Sacou o quanto ainda somos involuídos em termos de mentalidade?  Outro pequeno detalhe que doeu o coração e me fez perguntar o que há de errado em nosso país (e tenho fotos para comprovar): nos aeroportos, é comum ver filas de carrinhos estacionados com bagagem do lado de fora dos banheiros. Ficam ali por vários minutos, intocados, com computadores, compras, malas. Essa cena me entristeceu, pois comparei com qualquer aeroporto nosso. O que faremos para mudar essa nossa condição?

Além disso, tenho que dizer que a comida lá é uma maravilha. Além de custar no mínimo 40% menos do que no Brasil. Os vinhos também são fabulosos, e tudo a uma média de R$ 10,00 (dez reais) que era o meu limite. A carne, com certeza é a melhor que já comi. E olha que sou gaúcho e conheço a fama da carne argentina. Mas não adianta. A melhor carne é a sul-africana.

Bem, após esse breve relato, sinto ter de concluir dizendo que o Brasil infelizmente pegou um concorrente duro de vencer em termos de generosidade, hospitalidade, alegria e facilidade de vida. A África do Sul ganhará do Brasil de 10 a 0 e, como sugestão para algum governante eu diria que agora é hora de o Brasil investir tudo o que tem numa relação mais duradoura com a África do Sul, quem sabe até incluí-la no acrônimo BRICS (Brazil, Russia, India, China and South Africa). Porque não?! A África tem muito a nos ensinar, e nós temos muito a aprender com os nosso irmãos sul-africanos.

Ps.: fui à Johannesburgo à trabalho apresentar um projeto de inovação na área de redes e cinema. É óbvio que em termos de tecnologia a gente dá show, mas aqui para nós, a gente poderia aprender a não pensar tão pequeno….

Aula inaugural do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (UFRJ)

 


15 de Abril – Aula inaugural do PACC/UFRJ com o prof. Cícero Inacio da Silva sobre “Estudos Culturais Contemporâneos do Software”.
“Os processos computacionais tem afetado ou influenciado as mais variadas manifestações culturais e artísticas contemporâneas. Kindle, Kobo, Sony Reader, netbooks, entre outros, questionam os formatos tradicionais de leitura, pesquisa e acesso à informação”.

A palestra abordará novos formatos de publicação, acesso, produção e circulação dos bens culturais que serão afetados ou até mesmo ressignificados pela cultura do computador.

Às 14:00 h no Salão Moniz de Aragão- Predio do Fórum de Ciência e Cultura – Entrada Livre

Assista ao vídeo da palestra

http://oinstituto.org.br/p2p/?p=53

http://www.pacc.ufrj.br/agenda.php

http://www.forum.ufrj.br/news/150410.html

Aula on-line:

Pré-conferência de Cultura: Setorial de Arte Digital

Durante os dias 07, 08 e 09 de março de 2010 aconteceu a pré-conferência nacional de cultura e o encontro setorial de Arte Digital em Brasília. Fui eleito um dos delegados que representaram a área pelo estado de São Paulo. Foram muitos debates, propostas e o que se pode ver foi um eixo comum entre os participantes, delegados e interessados: o de que o digital é, de fato, um campo novo e precisa ser melhor analisado.

Um pouco da setorial:

Arte Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira

Com a aproximação da Conferência Nacional de Cultura, compartilho a nova versão do texto “Arte Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira” entregue ao Ministro da Cultura Juca Ferreira no mês de novembro de 2009.
Arte e Tecnologia Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira

Arte Digital no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira

Acabei de ver os vídeos que o pessoal do Fórum subiu no site do culturadigital.br. Agora, em retrospecto, o evento foi muito mais do que a gente pode imaginar em termos de pensamento para o que virá e para o que já foi…saí de lá com saudades do termo “digital”, pois parece que a cultura já é toda, em todos os níveis, digital…ou seja, o digital já parece coisa de 2009….
aqui seguem alguns vídeos em que eu, Giselle e Pau falamos sobre arte digital…esse nome, como já disse, parece um pouco fora do tempo, out of joint, como já dizia Shakespeare e depois Derrida…mas era necessário para esse momento…
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Projeto desenvolvido com walkingtools causa polêmica nos EUA

http://www.bbc.co.uk/mundo/ciencia_tecnologia/2009/12/091130_celulares_frontera_mf.shtml

Celular para cruzar ilegalmente
Marcia Facundo
BBC Mundo, Los Ángeles

La creación de la herramienta ha causado polémica.

Investigadores de la Universidad de California en San Diego elaboraron una aplicación para teléfonos celulares que puede ayudar a los inmigrantes en su travesía por la frontera entre México y Estados Unidos.

Con un teléfono móvil en la mano (el Motorola 455) los inmigrantes al cruzar el desierto estadounidense pueden encontrar agua, o ropa y frazadas que son dejadas en puntos estratégicos por organizaciones de defensa de los derechos de los inmigrantes.

La “herramienta inmigrante translínea” como es llamada por sus creadores, es similar al popular GPS (siglas en inglés del Sistema de Posicionamiento Global).

“Muchos sistemas de posición son para ser utilizados en zonas urbanas”, explicó a BBC Mundo Ricardo Domínguez, director del equipo de investigadores de la Universidad de California en San Diego (UCSD, por sus siglas en ingles) que desarrolla el innovador proyecto.