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Palestra de Arlindo Machado e lançamento do livro CineGrid: futuros cinemáticos

Organizadores do livro: Cicero Inacio da Silva, Jane de Almeida e Thiago de André

No dia 27 de abril de 2017 aconteceu o lançamento do livro CineGrid: futuros cinemáticos, no Centro Universtário Maria Antônia da USP. O lançamento contou com uma palestra do Prof. Arlindo Machado, que falou sobre o cinema científico e sobre suas explorações sobre o tema. Arlindo narrou suas experiências com a produção de filmes científicos, captadas na Escola Paulista de Medicina na Unifesp, entre diversas outras.

As imagens da palestra e da noite do lançamento estão aqui: https://goo.gl/photos/dQVjLhvjCTNebCny6

Lançamento do livro CineGrid: futuros cinemáticos


A equipe do CineGrid Brasil, em parceria com o CINUSP e o Centro Universitário Maria Antônia convidam para o lançamento do livro CineGrid: Futuros Cinemáticos, com organização de Cicero Silva, Jane de Almeida e Thiago de André.
O evento contará com uma conversa com o Prof. Arlindo Machado sobre Cinema Científico e projeção do filme MicroOrganisms, de Richard Weinberg.

Quando: 27 de abril de 2017
Horário: 18h às 20h30
Onde: Centro Universitário Maria Antônia – Salão Nobre, 3o andar.
Endereço: Rua Maria Antônia, 294, Consolação, São Paulo.

CineGrid Brasil team shows Ophthalmic Laser Surgery @ CineGrid Workshop 2015

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[en] Teams from the Digital Video Applications Laboratory (LAViD) of the Federal University of Paraíba (Universidade Federal da Paraíba – UFPB), Mackenzie University and the São Paulo Federal University (Universidade Federal de São Paulo – Unifesp) have displayed images of the first laser eye surgery captured with a camera capable of shooting 1000 frames per second at 4K resolution, an ultra-high resolution standard, during the CineGrid, held at the University of California, San Diego (UCSD). The demonstration allowed the audience to clearly see the laser acting on the cornea of the patient, which cannot be seen with the naked eye.

The video was captured and reproduced uncompressed, at 1000 frames per second (fps), in a transmission rate above 100 Gbps. In addition to that, the images were also shown seamlessly with the Collaboration and Visualization Panel (Sage), a project of the Electronic Visualization Laboratory (EVL) at the University of Chicago, USA. The images of the eye surgery were recorded with a special Phantom camera, capable of producing about one Terabyte (TB) of data every three minutes.

The capture of these images was carried out by teams from the Cinematic Arts Laboratory (LabCine) of Mackenzie University, and the Telessaúde Brasil Redes Laboratory, at Unifesp. From the beginning, the project has been supported by RNP as part of the activities of the Committee for Technological Forecasting in Video Collaboration.

The session was attended by an audience comprising researchers and representatives from research centers and educational institutions from Brazil, the US, Japan and other countries.

Scientific Connection

According to the Unifesp researcher, Cicero Inacio da Silva, the development of this technology will enable residents in ophthalmology, engaged in the field of refractive surgery, to observe the laser acting on the patient, in order to view its effects on the cornea.  The ideia is to create the proper conditions so, in the near future, surgeries are broadcasted to several locations, assisting the training of medical residents in ophthalmology.

He said that one of the challenges announced by the Brazilian team during the 2015 CineGrid is to live broadcast a surgery captured at 1000 fps, at 4K, in the next CineGrid, to be held in San Diego in December 2016. The challenge will require approximately 120 Gbps of dedicated connectivity, directly attached to the camera, which does not exist yet between Brazil and the United States, but could be developed soon, so this scientific connection is established in the fields of telemedicine, telehealth, video collaboration and advanced visualization.

Fogo Player

One the technologies that have enabled this successful experience at the CineGrid was the Fogo Player, a software package created by LAViD researchers, which makes possible the projection of videos at 4K resolution, and in 3D (stereoscopy), providing many possibilities of use in sports events, shows and surgical procedures for purposes of continuous education in telemedicine.

Another special feature of the Fogo Player system is to enable the instantaneous communication between those involved in the broadcasted event and the audience, which stresses the importance of its use in distance learning.  The project has been developed since 2001, with the support of the RNP.

Links for the image of the presentation @ CineGrid San Diego 2015: https://goo.gl/photos/9mMLHtag6zhrssRn7
Link for the images of the film capture at UNIFESP: https://goo.gl/photos/7LE8FVDCWx2MKffE7

Media: RNP website: https://www.rnp.br/en/noticias/first-laser-surgery-captured-in-1000-frames-per-second-at-4k-resolution
CineGrid Brasil website: http://cinegridbr.org/2015/12/16/cinegrid-brasil-team-shows-ophthalmic-laser-surgery-cinegrid-workshop-2015/

[pt] Cicero Inacio da Silva, Guido Lemos, Eliane Mayumi Nakano e Jane de Almeida, pesquisadores do LAVID/UFPB, do Laboratório de Artes Cinemáticas (LabCine/Mackenzie), do Setor de Cirurgia Refrativa do departamento de Oftalmologia (UNIFESP) e do Laboratório Telessaúde Brasil Redes da UNIFESP, participaram da última edição do CineGrid Workshop 2015, na Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD), com uma demonstração da primeira cirurgia oftalmológica a laser captada com uma câmera capaz de filmar 1000 quadros por segundo na definição 4K. A câmera utilizada foi uma Phantom, da empresa Vision Research, especializada em equipamentos de ultra alta resolução. A câmera gera algo em torno de 1 Tb de dados a cada 3 minutos. A captação da cirurgia foi realizada pela equipe do LabCine, da Universidade Mackenzie, em parceria com o Laboratório do Programa Telessaúde Brasil Redes da UNIFESP. A pesquisa contou com o apoio do Setor de cirurgia refrativa, do Departamento de Oftalmologia, da Universidade Federal de São Paulo. Como não existe ainda um player para visualizar os resultados, a equipe do LAVID desenvolveu uma adaptação do FOGO Player, um sistema de visualização de conteúdos em UHD (ultra alta definição), para poder rodar os 1000 frames por segundo em 4K. O resultado obtido foi significativo, pois é possível observar a ação do laser na córnea do paciente, o que não é possível ser visualizado a olho nu. O desenvolvimento dessa tecnologia permitirá que os residentes da área de oftalmologia, ligada ao campo da cirurgia refrativa, possam observar a ação do laser no paciente e poder visualizar os efeitos do laser na córnea. A ideia é poder criar condições para que as cirurgias possam, em um futuro breve, ser transmitidas para diversas localidades, auxiliando na formação de residentes médicos na área da cirugia refrativa. Um dos desafios que a equipe do Brasil levou para o CineGrid 2015 é fazer a transmissão de uma cirurgia captada a 1000 fps em 4K para o próximo CineGrid San Diego em dezembro de 2016. Contudo, o desafio é bastante intenso, pois demandará, nada mais nada menos do que 120 Gbps de conectividade dedicada conectada diretamente à câmera, o que ainda não existe entre Brasil e Estados Unidos, mas que poderá ser desenvolvida em breve para que essa conexão científica se estabeleça no campo da telemedicina, telessaúde, video colaboração e visualização avançada.
As imagens da apresentação no CineGrid San Diego podem ser acessadas aqui: https://goo.gl/photos/9mMLHtag6zhrssRn7

Cirurgia 4K no CineGrid International Workshop 2014

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A experiência de captação e transmissão da primeira cirurgia oftalmológica em 4K foi apresentada no CineGrid International Workshop na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). A mesa foi apresentada por mim e teve a participação do Prof. Guido Lemos (UFPB), dos Professores Milton Yogi e Paulo Schor da UNIFESP e do pesquisador e professor Michal Krsek da CESNET de Praga.

 

 

Matéria da Agência FAPESP de hoje sobre CineGrid Brasil 2014

Visualização do mapa das conexões neurais do cérebro do projeto Connectome, dos NIH, na “caverna virtual” da University of Illinois at Chicago (foto: EVL)

Cinema estimula avanço da visualização científica

Link: http://agencia.fapesp.br/cinema_estimula_avanco_da_visualizacao_cientifica/19846/

19 de setembro de 2014

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Quando o diretor de cinema norte-americano George Lucas escreveu o roteiro do primeiro filme da série Guerra nas Estrelas (1977), ele planejava utilizar computação gráfica em uma das cenas principais, o ataque à estação espacial Estrela da Morte.

Mas na época a computação gráfica ainda começava a ser explorada por empresas de efeitos especiais, como a Industrial Light & Magic, fundada pelo próprio Lucas em 1975.

A solução tecnológica para a cena foi encontrada no Laboratório de Visualização Eletrônica (EVL, na sigla em inglês) da University of Illinois at Chicago (UIC), nos Estados Unidos. Na época, pesquisadores da instituição desenvolviam um sistema de computação gráfica para auxiliar químicos a fazer modelagem molecular. Com ele, era possível fazer as animações tridimensionais que Lucas pensava para o filme.

“Desenvolvíamos projetos de visualização científica, oferecendo computadores e softwares para químicos elaborarem modelos moleculares”, disse Maxine Brown, diretora do EVL, em uma palestra durante o CineGrid Brasil, congresso internacional realizado nos dias 28 e 29 de agosto no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“O diretor de fotografia do filme [o britânico Gilbert Taylor (1914-2013)] veio ao nosso laboratório e adaptou o sistema de modelagem molecular em parceria com os pesquisadores para criar a apresentação do plano de ataque à Estrela da Morte mostrada no filme”, afirmou.

A tecnologia de visualização científica desenvolvida pela instituição para fins científicos foi uma das várias que acabaram inspirando a ficção e chegando às telas dos cinemas.

Por outro lado, conceitos de visualização computacional imaginados e apresentados pela primeira vez em filmes também motivaram os pesquisadores da instituição a desenvolver soluções com propósitos científicos.

“A ciência influencia o cinema e vice-versa”, avaliou Brown. “Quando as pessoas veem algumas tecnologias desenvolvidas no nosso laboratório logo pensam que são cenografia para filmes de ficção científica. Em contrapartida, muitas coisas que vemos no cinema e ainda são ficção científica inspiram os nossos cientistas.”

O ambiente de realidade virtual “Holodeck”, apresentado pela primeira vez na série de televisão Jornada nas Estrelas, lançada em 1987, motivou os pesquisadores a desenvolver, em 1992, a Cave Automatic Virtual Enviroment (Cave), um sistema de projeção de realidade virtual.

A “caverna virtual” é uma sala no formato de um cubo na qual são emitidos sons e projetadas imagens tridimensionais em três paredes e no chão do ambiente, visualizadas por meio de óculos estereoscópicos (com visão binocular).

O usuário pode explorar o cenário projetado ao se movimentar dentro do cubo e manipular os objetos tridimensionais com um controle com três botões.

“A cave foi projetada para ser uma ferramenta útil à visualização científica e, quando foi lançada, começaram a chamá-la deHolodeck [de holografia]”, contou Brown. “Ela teve diferentes aplicações, como em um projeto de reconstituição virtual do bairro do Harlem [em Nova York] no período de 1920 a 1930.”

Nova versão

Em 2012, os pesquisadores do EVL lançaram uma nova versão da caverna digital, a Cave2. Inspirado na “sala de guerra” do filmeDr. Fantástico, de Stanley Kubrick (1928-1999), lançado em 1964, o ambiente de realidade virtual tem cerca de 24 metros de diâmetro e 8 metros de altura e é composto por uma única parede curva com mais de 70 telas de cristal líquido (LCD) sensíveis ao toque (touch screen).

A sala oferece aos usuários uma visão panorâmica de 320 graus de imagens com resolução de 37 megapixels (milhões de pixels) em 3D ou 74 megapixels em 2D projetadas na parede de telas de LCD.

A parede de telas pode ser utilizada tanto para a exploração de simulações de realidade virtual como para análises de grandes volumes de imagens colocadas lado a lado.

As imagens são visualizadas em conjunto e tocadas e manipuladas com os dedos por meio de uma tecnologia de exploração interativa de dados visuais, desenvolvida no EVL nos últimos anos cinco anos, inspirada no filme de ficção científica Minority Report, de Steven Spielberg, de 2002.

No longa, o personagem interpretado pelo ator norte-americano Tom Cruise usa luvas especiais e gestos para manipular arquivos de imagem, áudio e outros dados projetados em uma tela transparente.

“A parede de telas da Cave2 também permite misturar imagens e dados, como gráficos, de um mesmo problema que um grupo de pesquisadores está tentando solucionar para que possam analisá-los de uma forma global”, disse Brown.

De acordo com a pesquisadora, o ambiente de realidade virtual está sendo utilizado no Projeto Batman, do EVL, chamado assim em alusão a uma cena do filme Batman: o cavaleiro das trevas, dirigido por Christopher Nolan e lançado em 2008, em que o personagem Lucius Fox, interpretado pelo ator norte-americano Morgan Freeman, monitora a ocorrência de crimes na cidade fictícia de Gotham em uma parede curva de monitores.

O projeto tem o objetivo de visualizar os dados de criminalidade de Chicago – como os locais onde ocorrem crimes com maior frequência – para ajudar a polícia e os tomadores de decisão a desenvolver ações mais efetivas de combate ao crime.

“Reproduzimos toda a cidade de Chicago por meio de imagens de satélite fornecidas pelo Google Maps e projetamos na tela da Cave2”, disse Brown. “Ao fazer isso, os serviços de inteligência podem visualizar diversas áreas da cidade ao mesmo tempo e fazer comparações sobre locais onde ocorrem mais crimes, por exemplo, o que não era possível antes.”

Aplicações científicas

Segundo Brown, a Cave2 também tem sido utilizada para grandes projetos científicos nos Estados Unidos, como o Human Connectome Project.

Lançado em 2009 pelos National Institutes of Health (NIH), o projeto pretende identificar e mapear todas as conexões neuronais de um cérebro humano adulto.

Algumas das imagens de redes neurais já produzidas por equipamentos de ressonância magnética têm sido analisadas no ambiente de realidade virtual.

“A Cave2 possibilita que os neurologistas possam analisar o funcionamento do cérebro por meio de imagens de ressonância magnética com um nível de detalhe muito maior do que se conseguia”, afirmou Brown.

Mais recentemente, um grupo de pesquisadores do Programa de Ciência e Tecnologia em Astrobiologia para Exploração de Planetas (Astep, na sigla em inglês), da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), começou a usar o ambiente de realidade virtual para avaliar os resultados de testes em campo de um veículo autônomo submarino projetado para explorar a superfície de gelo na lua Europa – uma das quatro luas do planeta Júpiter.

Denominado Endurance, o robô foi projetado para navegar sob o gelo, coletando dados e amostras da vida microbiana e mapeando o ambiente subaquático para a produção de mapas tridimensionais.

A fim de prepará-lo para a missão – que deverá ocorrer após 2020 –, os pesquisadores fizeram uma série de testes em campo em lugares como o Lago Bonney na Antártica, que tem uma cobertura de gelo permanente.

Os dados coletados pelo robô na Antártica foram transmitidos ao EVL para a geração de imagens tridimensionais, mapas e representações de dados do lago.

Os pesquisadores do laboratório criaram, então, uma ferramenta para a visualização simultânea de centenas de imagens georreferenciadas e em alta resolução da camada de gelo que cobre o lago. Com isso, é possível estudar, por exemplo, a distribuição de sedimentos presos na superfície do gelo.

“A reunião dos engenheiros que projetaram o robô com os cientistas envolvidos na coleta de dados do projeto na sala de realidade virtual permite que eles entendam os problemas uns dos outros e estudem soluções de forma conjunta”, avaliou Brown.

CineGrid@Rio 2011

O CineGrid@Rio 2011 aconteceu no dia 15 de setembro. Durante mais de 10 horas, profissionais da área de cinema, computação, redes, políticas públicas para a cultura e do mercado puderam interagir com experimentos no campo das imagens ultra-definidas e também conhecer o que será o futuro das redes de comunicação e informação, com transmissões transcontinentais de filmes em super alta definição através de conexões que normalmente estavam a 10 Gbps, ou seja, dez mil vezes mais rápidas do que a velocidade que a média dos usuários possui no Brasil, que é de um mega. Como um dos organizadores do evento, creio que o resultado alcançado foi bastante positivo e que a comunidade conseguiu demonstrar os seus objetivos, que é pensar as novas imagens e enviá-las através de redes fotônicas de alta capacidade. O próximo passo é dar início aos trabalhos para o CineGrid@Rio 2012!

Veja as fotos aqui:

http://www.flickr.com/photos/leandroneumann/sets/72157627572714675/

Brasil inaugura o futuro do cinema

Mapa do Global Lambda Integrated Facility (GLIF)

Mapa do Global Lambda Integrated Facility (GLIF)

O Brasil está entre os países que detêm uma das melhoras infraestruturas para transmissão de cinema em alta velocidade do mundo. No dia 30 de julho de 2009, um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Mackenzie, de São Paulo, em conjunto com mais de 60 pesquisadores no Brasil e no mundo realizaram um feito inédito na história das redes e do cinema: transmitiram através de fibras ópticas (redes fotônicas) com velocidade em torno de 10Gbps um filme digital em super alta definição (4K) para dois países ao mesmo tempo. O Digital Media Center (DMC), da Universidade de Keio no Japão e o Calit2 da Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos, puderam assistir em tempo real ao filme “Enquanto a noite não chega”, com direção de Beto Souza e Renato Falcão, com definição superior a 8.000.000 de pixels por frame. O formato 4K, como é conhecido esse novo processo de renderização de imagens cinematográficas, já foi aceito como a resolução mínima dos filmes que substituirão os padrões atuais pela DCI (Digital Cinema Initiatives), uma associação que congrega os 7 maiores estúdios de Hollywood.

A primeira transmissão de um filme em redes de super alta velocidade requer uma quantidade significativa de conexões e de roteadores, além de servidores de grande porte, para dar conta de projetar o filme e, além disso, de envia-lo através de routers e distribuidores de informação para vários locais do mundo até chegar ao seu destino. Os servidores de renderização de imagens são potentes máquinas criadas especialmente para esse fim que podem ler 10, 20 terabytes de informação e projetá-las em tempo real. Um filme de 70 minutos em formato 4K tem uma média de 4 a 8 terabytes (não comprimido).

As câmeras de captura em 4K ainda são raras no mercado e existe uma polêmica em torno do padrão de captura e das atribuições de cores, pois cada fabricante defende que o seu sistema é mais acurado e renderiza melhor o formato final.

Redes

As instalações das redes que fizeram a transmissão do primeiro experimento nessa área no mundo foram criadas  para servir e interligar grandes centros de pesquisa ao redor do mundo. A experiência pioneira de utilizar essa infraestrutura para a transmissão de cinema foi um marco na criação de novas formas de utilização dessas redes e também colocou o Brasil em um novo patamar em termos de distribuição, acesso e interligação de grandes bases de dados, que agora além de dados científicos e tecnológicos, passam a também distribuir cultura em forma de imagens em movimento, animações, performances teatrais, óperas e concertos. As redes utilizadas na transmissão são conhecidas como Kyatera, da FAPESP, ANSP e RNP que, como mostra o gráfico abaixo, passam nas universidades que possuem pesquisa na área de redes e fibras ópticas. As redes de alta velocidade também são chamadas de redes fotônicas.

Projeto de transmissão do 4K

Projeto de transmissão do 4K

Atualmente existe um interesse crescente em interligar, além de centros de pesquisa avançados, espaços culturais como Cinematecas, bibliotecas, filmotecas, teatros e cinemas, entre outras instituições culturais, através de uma parceria entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Ministério da Cultura. Pelo que fomos informados, isso seria inédito em termos de abragência dessas novas redes e colocaria o Brasil como um potencial emissor de conteúdo cultural para os demais países conectados às redes. Para se ter uma idéia, o Brasil é o único país listado no mapa do Glif, ou seja, é o único que possui redes acima de 1Gb na América Latina. Com essa conexões ativas, é possível que dentro de poucos anos o Brasil possa ser um centro de produção de filmes em larga escala, pois com  conexões rápidas a edição de filmes pode ser realizada em tempo real com vários países do mundo. A edição de áudio, a renderização de uma imagem, a aplicação de cores, enfim, todo o processo de edição pode ser feita em vários países ao mesmo tempo, com o diretor do filme no Brasil assistindo em tempo real o que está sendo feito e podendo ele mesmo editar o filme em alta definição.

Cinema e redes

A proposta de integrar cinema com redes ópticas partiu de dois pesquisadores da Universidade Mackenzie, Jane de Almeida e Eunézio de Souza, também conhecido como Thoroh, além de um dos organizadores do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), no caso o autor deste post. Os primeiros contatos para efetivar essa transmissão começaram no ano de 2007, quando alguns pesquisadores do Mackenzie e do FILE participaram do Cinegrid (uma associação dedicada ao estudo das redes de alta velocidade) e decidiram projetar filmes com tecnologia 4K no Brasil pela primeira vez. Em 2008 o FILE teve sua primeira projeção de cinema em super alta definição. Durante uma semana, mais de 3.500 pessoas passaram pelo auditório do Sesi, na Avenida Paulista, para assistir a pequenos trailers de filmes capturados e renderizados nesse formato, assim como a palestras sobre essa nova imagem que surge com o advento da super alta definição. Na ocasião, o FILE se chamou 2.008.000.000, em alusão ao número de pixels da imagem 4K mais o ano em que estávamos naquele momento. Depois de realizado o FILE 2008, pesquisadores do Mackenzie e do FILE novamente foram à UCSD tentar dessa vez encontrar pesquisadores interessados em realizar a primeira transmissão de um filme longa metragem em redes de fotônica de alta velocidade. No Cinegrid de 2008 foi então acordado com a Universidade de Keio, através do presidente do Digital Media Center, Naohisa Ohta e com Sheldon Brown, diretor do Center for Research in Computing and the Arts (CRCA) a primeira transmissão de um filme longa metragem do Brasil para dois países distantes. Mas havia um problema: que filme transmitiríamos se não havia nenhum longa pronto no formato 4K? Foi quando os organizadores decidiram contatar os diretores do filme “Enquanto a noite não chega” e propor a transmissão para Japão e Estados Unidos. Depois de decidido o filme, começaram os trabalhos de infraestrutura mais difíceis. Houve a necessidade de interligar via fibra óptica a Universidade Mackenzie e o teatro do Sesi, onde ocorreu a transmissão. Essa conexão foi realizada pela Telefonica, que instalou a fibra até o local. Também foi necessária a aquisição de equipamentos de codificação e decodificação de grande porte, para atender às demandas da rede, além de servidores de alta performance para suportar a renderização e transmissão do filme. Cabe aqui uma informação importante: os softwares que fazem a rede funcionar, além do sistema de visualização, são Open Source. Realizados esses primeiros passos, começaram os primeiros testes entre os pesquisadores envolvidos e muitos problemas começaram a aparecer. Em dezembro de 2008, os pesquisadores envolvidos no projeto haviam sido avisados que o Brasil teria seu link ampliado de 2.5Gb para 10 Gb, mas não haviam recebido uma data específica para isso. O upgrade acabou sendo realizado três semanas antes do evento e a transmissão do cinema em super alta definição foi o que praticamente inaugurou a nova rede de alta velocidade. Depois de mais de um ano e meio de trabalho, as redes e os sistemas ficam prontos e em julho de 2009 o Brasil fez história como sendo o primeiro país a produzir um longa em 4K a transmitir a sua première para dois países em continentes diferentes através de redes fotônicas de alta performance. Segundo o diretor do Calit2, Ramesh Rao “O evento como um todo foi memorável”.

Leia abaixo o texto da organização do evento

O retorno do cinema orientado pela invenção: novas luzes

O cinema, “a invenção sem futuro” dos irmãos Lumière, marcou o século XX de forma profunda e enriquecedora. Muito do que se disser do sujeito do século XX no futuro será atribuído ao dispositivo de maravilhamento do cinema. Agora, mais de 110 anos depois, este efeito não parece ter esvanecido, apesar do sentimento de naturalidade que temos diante da tela de cinema. Depois de vários estágios, a tecnologia de produção de imagem em movimento sofreu profundas mudanças com o computador e hoje se consegue obter e projetar imagens de qualidade inquestionável, com resultados estéticos surpreendentes até para os amantes da película.

Mas foi preciso que as luzes do cinema encontrassem as luzes dos fótons para que essa imagem potente pudesse ser transmitida sem perda de qualidade. Além da rede de conexões de suporte físico, é também necessária uma rede de cientistas, pesquisadores e inventores que procura tornar realidade este salto tecnológico do sonho de ubiqüidade.

Os pioneiros do cinema também se consideravam inventores e cientistas, até porque a profissão “cineasta” não havia sido inventada. “Apporter le monde au monde” – trazer o mundo ao mundo, era o slogan dos irmãos Lumière e da Pathé-Film. Conforme observa o cineasta Alexander Kluge, a frase pode ter dois sentidos: o nascimento de novas imagens, de um novo mundo, mas também significa que o mundo filmado está sendo exibido em Paris. Naquela época, várias câmeras foram enviadas a vários países do mundo para registrar os movimentos das culturas distantes, à procura de “imagens jamais vistas”. Hoje, o aparato tecnológico de super alta definição pode tornar visíveis imagens em escala micro e macro, de lugares distantes, nunca visitados. Pode também transmiti-las. Depois de anos de narrativa ficcional, cientistas e inventores procuram mais uma vez as imagens jamais vistas, agora para trazer o universo ao mundo.

Jane de Almeida

Assista à cobertura completa realizada pela TV Cultura no link:

mms://videos.tvcultura.com.br/metropolis-videos/20090730-56k-150k-300k.wmv

Revista Pesquisa (FAPESP), setembro de 2009: Na trilha da Luz http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3947&bd=1&pg=1&lg

Site do UOL: http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/multi/2009/07/31/04023562C4C98346.jhtm?filme-em-super-alta-definicao-e-transmitido-em-sao-paulo-04023562C4C98346

Estado de S. Paulo, 01/08/2009: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090801/not_imp411812,0.php

Repercussão internacional:
http://www.calit2.net/newsroom/release.php?id=1579

http://www.fayerwayer.com/2009/07/brasil-transmitira-pelicula-en-resolucion-4k-a-estados-unidos-y-japon/

http://foro.nod.cl/index.php?s=7b45b4138157e64c37f0d08a960ee187&showtopic=53728

http://ucsdnews.ucsd.edu/newsrel/science/08-09Film4K.asp

texto publicado originalmente em http://culturadigital.br/blog/2009/08/03/brasil-inaugura-o-futuro-do-cinema/